terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sopa de cenas

Que fique bem claro: nesta cozinha só entram gajos. Qualquer presença feminina será por convite nosso e qualquer comentário à nossa actividade terá de ser dentro dos parâmetros que a nossa qualidade exige. Exemplo: "Está mesmo bom, parece comida dos deuses; tens o talento e a sensibilidade que qualquer mulher gostaria de ver no seu homem". Combinados?
Há ainda uma maneira de uma mulher conseguir entrar neste espaço exíguo e distinto: cozinhar, cozinhar bem e, depois, rezar a todos os santinhos para que o marido consiga dar-lhe algum tempo de antena neste estaminé.
Ora, isto vem a propósito, de um prato confeccionado pela minha "dona de casa": uma sopa. Tem de se começar por algum lado, e é de bom tom começar pela sopa. Uma boa sopa, revela uma boa dona de casa. E também significa que há um cuidado especial por alimentação saudável.
Além do mais, uma sopa é fácil de fazer, mas difícil de gostar. Basicamente, põem-se os ingredientes dentro de uma panela com água, deixa-se cozer, tritura-se tudo e já está. Ah, e não se esqueçam de uma pedra de sal. 
Esta sopa, disse a minha "moglie", é de cenas. De cenas, porque basta abrir o frigorífico e agarrar nos legumes que sobraram de outros cozinhas e que correm risco de ir para o compostor, e deitá-los na panela. Mas também precisa de arte. Vejamos:

Ingredientes:

Água (ups!)
1 cebola grande
Alho (para mim, quanto mais melhor)
Courgette
Chuchu
Alface
Alho francês
Cenoura
Sal e azeite
(nada de batatas, ok?)

Preparação:
Atenção, que só vou dizer uma vez: cozer tudo numa panela, temperar com sal, triturar com a varinha mágica, deixar cozer mais um pouco e juntar um fio de azeite no fim.